VOCÊ NÃO ESTÁ NO CONTROLE!

Saímos pra essa viagem em Agosto de 2020. Ficamos 10 meses no Brasil pois as fronteiras se fecharam. Só conseguimos sair do Brasil, para o Paraguai em Junho de 2021.

Já ouvimos muito o seguinte de outros viajantes: “eu saí assim; com isso, com aquilo… e me desfiz de praticamente tudo, ou troquei praticamente tudo.” Pois é, nós não estamos acostumados a um estilo de vida de “pouca coisa” – do “funcional” – nós estamos acostumados a uma vida de consumo mesmo. Uma vida de ter muita coisa, de ter um de cada. Uma vida de ter MAIS pra nos satisfazer temporariamente, mesmo que a gente nem se dê conta disso.

Hoje, 11 meses depois, nós conseguimos enxergar que foi a melhor coisa nós não termos conseguido sair do Brasil. Fizemos um “test-drive” no nosso próprio pais; fomos descobrindo que precisávamos deixar pra trás nossos hábitos e manias de uma “vida normal” – eles ja não cabiam em um carro que seria a nossa casa pros próximos 1 ou 2 anos.

(Viagem pelo sul e sudeste do Brasil)

Muita gente não sabe mas saímos muito diferentes de como estamos hoje. Nós tínhamos uma barraca de teto no carro – ela ficava na parte da caçamba do carro. Ficamos ao redor de 6 meses com a barraca, depois vendemos e fechamos a caçamba. A barraca de teto te dá tanta liberdade e te proporciona olhar para o mundo de uma forma diferente: de um jeito que qualquer lugar pode ser um “lar” – ela faz com que o “acampar” seja mais confortável pois voce dorme em cima, né? Teoricamente, você está mais protegido e ela tem um formatinho de casa mesmo então ela tá proporciona certo conforto. 

(Nosso carro com a barraca de teto armada)

Ao mesmo tempo, vamos lembrar do Chopp pois ele dormia conosco dentro da barraca. A nossa barraca era um modelo para 03 pessoas; Afinal de contas,  Chopp é quase uma pessoa. Ele se acostumou e até gostava de dormir na barraca. O problema era colocar e tirar ele – TODOS OS DIAS. Vinicius foi começando a sentir dor nas costas e no fim, vimos que aquilo não era sustentável.

(Chopp em cima da barraca de teto)

Nesse meio termo, nós viajamos um pouco pelo sul e sudeste do Brasil. Como falamos, tivemos a chance de testar um pouco essa vida e acabamos tendo um gostinho disso que a gente fala hoje com bastante propriedade: “as pessoas são quem fazem a diferença nessa jornada – não é a paisagem, não é o bar, não é o passeio…” 

Tivemos que parar em alguns lugares para esperar as fronteiras reabrirem. Um dos locais que escolhemos foi Florianópolis. Mas isso nem estava no plano – Nós chegamos em Floripa e a ideia era ficar lá por apenas 04 dias e no fim, ficamos lá por 05 meses. Seu José é o dono do residencial onde ficamos – a relação com ele se iniciou pura e simplesmente comercial e hoje, consideramos ele um grande amigo.

(Nós e seu José, em frente ao residencial Jade)

Seu José sentiu a nossa preocupação sobre as fronteiras – ele viu que nós nos sentimos um pouco tristes.. até mesmo pela nossa inexperiência com relação a tudo isso. Partimos para desenvolver novas experiencias e depois de alguns dias, nos vimos tendo que parar e criar um rotina novamente. Então, querendo ou não, isso acabou nos entristecendo.

Ao final dos 04 dias, Seu José nos disse algo que a gente demorou pra processar: “Gente, se vocês precisarem, podem ficar aqui na pousada, o tempo que vocês precisarem – fiquem aí…”

Nós vivíamos uma vida cheia de trocas de interesses. Assim é o mundo corporativo; assim é o comércio e muitas vezes, assim também é um pouco de nossas relações. Então, nós demoramos pra entender que o ser humano gosta de ajudar o próximo – de graça. Seu José foi um dos primeiros a nos ensinar isso. Ele nos convidou para ficar na pousada dele, o tempo que precisasse, sem pagar nada!

Onde você imagina que isso aconteça hoje, no seu circulo de pessoas? 

Isso, em São Paulo onde a gente vivia, é algo que nunca imaginamos que pudesse acontecer. Difícil de pensar que isso aconteceria, né?


A partir desse convite, nós ficamos! Nós vivemos um pouco da vida do seu José. Nós tentamos ser úteis e nos fazer úteis. E foi nesse período que nós conhecemos alguns outros viajantes e também a família Zapp.

A família Zapp é uma família de argentinos que passou 21 anos viajando o mundo e eles pararam em Floripa a caminho de volta da Argentina – eles tiveram que esperar ali pois a fronteira com a Argentina estava fechada.

(Nós e a família Zapp)

Então, fomos seus vizinhos por alguns meses e, para a nossa sorte e privilegio, pudemos absorver muito da experiencia deles. Afinal, são 21 anos viajando em um carro 1928. Eles tiveram 04 filhos no mundo, cada um em um lugar diferente.

“Ser igual nos torna mais tolos, enquanto que a diversidade nos faz evoluir”

Herman Zapp

Na nossa vida cotidiana, nós nos cercamos de gente parecida com a gente, não é? Nós rimos de roupas “esquisitas”, nós criamos grupos de comunidades parecidas às nossas e, voluntariamente ou involuntariamente, nós nos distanciamos de quem é diferente de nós. 

O mundo te faz perceber isso. Nosso mundo ali, naquela vida – obviamente haviam muitos momentos de felicidade – mas só depois que saímos, nós percebemos que aquilo era muito pequeno pra nós.

Após alguns meses, chegamos mais perto da fronteira – nós ficamos um tempo em Foz do Iguaçu. Ali, conhecemos Roger e Bruno: dois amigos, com letras maiúsculas. Igual o seu José, estes dois também viveram nossos sentimentos por alguns meses. Eles estiveram com a gente na contagem regressiva para a abertura da fronteira. Eles nos acolheram e, com eles, nós conhecemos e passamos a amar uma cidade.

(Bruno, Roger e Chopp)


Você pode amar ou odiar um lugar, a depender da sua experiencia com as pessoas! Foz do Iguaçu, por si só, é uma experiencia incrível. A cidade possui 02 países como fronteira – além disso, ela é uma cidade super organizada, limpa, bonita…

(Foz do Iguaçu e seu marco das 03 fronteiras)

Mas veja – se você tem uma experiência ruim com alguém; por exemplo, se alguém te rouba, se alguém te engana, ou se você não se sente seguro, estão sua imagem daquele local fica distorcida, mesmo que seja o lugar mais bonito do mundo! Portanto, aprendemos essa valiosa lição mesmo antes de sair do Brasil: As pessoas fizeram e estão fazendo toda diferença nessa jornada. 

Nunca estivemos sós.

Saímos e já tivemos que nos adaptar a mudanças. Foram muitas mudanças: mudanças por conta de adaptação; mudanças ao estilo de viagem; mudanças por questões que estavam acontecendo no mundo, etc.

VOCÊ NÃO ESTÁ NO CONTROLE!

Mas isso não fez com que nós desistíssemos ou mudássemos os planos – nós nos adaptamos no caminho. 

O Hermann Zapp também nos disse: “Se você deixar teu coração te guiar, você NUNCA vai estar no caminho errado. Escuta teu coração. Não deixe que tua mente te distraia pelo que os outros estão fazendo ou dizendo. A mente fria PENSA, enquanto o seu coração quente, SENTE.”

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